SERÃO O EXCESSO DE PESO E AS DOENÇAS CRÓNICAS, PROBLEMAS ALIMENTARES?

O Stress está na moda hoje em dia. A culpa é toda do stress… será que é mesmo?
Associado a uma conotação normalmente negativa, na verdade o stress ser positivo ou negativo depende da nossa capacidade de resposta  ao estímulo stressante. O problema não é o stress em si, mas a maneira como lidamos com ele. Na verdade, após uma exposição ao stress até podemos ficar mais fortes, mais resistentes…” o que não nos mata faz-nos mais fortes” não é verdade?
O nosso corpo sabe lidar bastante bem com o stress pontual, a maior parte da resposta é automática, imediata e primitiva. Esta resposta coloca-nos em alerta, produzimos mais energia muscular, maior força e até inibe a dor… o problema acontece quando a fonte de stress deixa de ser pontual e o stress passa a ser crónico. Neste caso, a acumulação de gordura corporal é uma das respostas do nosso organismo, se não vejamos…
Quando o estímulo “stressante” se prolonga e nós não encontramos a resposta adquada para lidar com ele, há um aumento da produção de cortisol pelas glândulas adrenais. Este aumento de cortisol é uma arma que existe para a nossa sobrevivência (necessidade urgente de energia rápida, como resposta aos mecanismos homeostáticos), é este cortisol que vai manter o organismo equilibrado em situações stressantes. O cortisol não existe para garantir a nossa saúde e bem estar por longos anos, mas sim para sobrevivermos a um determinado estímulo stressante!
consequências do aumento de cortisol:
  • aumento da energia rápida
  • aumento da armazenagem de gordura
  • aumento do apetite, em especial de alimentos que conferem energia rápida, como os açúcares,
  • diminuição da seratonina, e com isso menor controlo emocional e maior probabilidade de comportamentos compulsivos
… todo o organismo entra em poupança e alerta, focado em disponibilizar energia rápida!
O que se passa hoje em dia é que as fontes de stress do Homem moderno são bem diferentes dos stresses do Homem das cavernas, atualmente não necessitamos do mesmo tipo de energia para a resolução do stress. Hoje em dia já não necessitamos de fugir dos predadores… e as nossas fontes de stress deixaram de ser situações pontuais de perigo, para passarem a ser situações que exigem muito mais que a simples energia da resposta automática e involuntária…, Hoje em dia é-nos exigido respostas muito mais inteligentes, mais conscientes, que a maioria de nós não está preparado para dar…e na perspectiva da evolução, devido uma selecção natural, sobreviverão os mais adaptados…
O cortisol também é uma das hormonas que regula os nossos horários de sono e de fome. Ele é máximo quando acordamos de manhã, e vai baixando ao longo do dia. Isto se tudo funcionasse como deve ser, o que hoje em dia não é o “normal”.
Uma simples noite mal dormida pode inverter tudo isto e a diminuição natural ao longo do dia nem sempre acontece. Encontramos frequentemente disfunções a este nível, e que resultam numa exposição demasiado elevada ao cortisol ao longo do dia. A simples exposição a luz na frequência do azul, no espectro da luz branca (como a luz das lâmpadas, TV, computador, etc), inibe a produção de melatonina pela pineal e manutenção deste relógio biológico tão fantástico que a natureza nos deu, e que nós estamos repetidamente a violar. A noite é para relaxar e descansar.
Se já não bastasse, o cortisol também pode reduzir a taxa metabólica e tornar-nos mais “poupados” (no mau sentido), alterando o funcionamento da tiróide.
Outro sistema afectado pelo stress/cortisol é o reprodutor que deixou de ser uma prioridade. Não nos reproduzimos em ambientes hostis, ou pelo menos não deveria acontecer. Como tal, o cortisol também afecta as nossas hormonas sexuais.
O grande problema nisto tudo, não é o STRESS, mas sim, a resposta que damos ao STRESS CRÓNICO.
O que mudou na sociedade nas últimas décadas?
Muita coisa, e uma delas foi de facto uma maior exposição ao stress que derivada da própria estruturação da sociedade. Queremos estar fit e saudáveis, e ao mesmo tempo dormir 5 horas, comer à pressa, despachar os miúdos para os levar à escola, praguejar no transito para não chegar atrasado ao trabalho, trabalhar sobre pressão constante, preocupação em que o dinheiro chegue para as despesas, comer porcaria ou não comer de todo, sair do trabalho a correr, ir treinar stressado com os minutos contados, ir buscar os miúdos, fazer o jantar, relaxar no sofá a ver TV ou por o trabalho em dia, dormir, e repetir tudo no dia seguinte. Talvez não possamos, nem queiramos, mudar o nosso modelo social, mas pelo menos podemos tentar minimizar os estragos.
O corpo Humano é de facto uma máquina maravilhosa e com uma resistência extrema à agressão.  Mas quando esta agressão supera toda e qualquer resiliência possível entramos em modo de sobrevivência. Manter-nos vivos é a prioridade, não necessariamente com a vitalidade que desejamos, e é assim que surge a doença crónica. Não há nada de errado com o nosso corpo. É apenas a sua melhor resposta ao contexto que lhe apresentamos. Este sim precisa de ser mudado, ou passaremos o resto dos nossos anos à procura de estratégias milagrosas para aliviar os sintomas, sem nunca resolver o que é realmente a causa…
…e a resposta não está só na alimentação, mas na integração de todas as disciplinas e abordagem do indivíduo como sistema interligado com o meio que ele é… concordam?
Por: Carla Gaspar, Coach, com especialização na área da psicologia em terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração (Mindfulness and Compassion Focused Therapy) Mestre em Tecnologia dos Alimentos e Pós-Graduada em Nutrição Humana

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